Mônica Jácome, diretora e roteirista, lançará hoje, quinta-feira, 11 de setembro de 2025, o documentário Frutos do Mar – Tradição Culinária, Memória e Resistência na Brasília Teimosa.

A sessão, pública e gratuita, será às 19h, na Escola Técnica Estadual João Bezerra, que fica na Rua Francisco Valpassos, s/n, Brasília Teimosa, Recife.

O filme (que tem pouco mais que 25 minutos) reúne narrativas de pescadores, marisqueiras, cozinheiras, comerciantes, educadores e crianças, sobre a vida cultural, a rica gastronomia do bairro e a resistência frente às pressões históricas da especulação imobiliária.

Frutos do Mar parte da premissa de que é legítimo, mais legítimo, que os moradores do território contem (e protagonizem) as suas próprias histórias: é a comunidade que diz como se construiu o sistema cultural alimentar da Brasília Teimosa, feito do encontro de três matrizes culinárias: o mar, o mangue e a caatinga.

Tal cruzamento tem raízes na migração sertaneja das décadas de 1930 e 1950, quando as famílias expulsas pelas grandes secas ergueram palafitas no antigo Areal Novo, hoje Brasília Teimosa.

Elas trouxeram hábitos alimentares à base de carnes (buchada, sarapatel, chambaril, carne-de-sol) que, somados à pesca artesanal e à mariscagem, criaram uma identidade gastronômica própria.

Entre as personagens centrais do doc. estão as irmãs Natália e Gisele Oliveira, que comandam o Bar do Cabo (fundado por migrantes sertanejos);

Seu Zezinho, batizado José Bezerra dos Santos, migrante da seca que administra o Império dos Camarões (em parceria com o neto);

a marisqueira Edileuza Silva do Nascimento (Dona Lêu), o pescador João Pereira Filho, e o vice-presidente da Colônia de Pescadores Z-1, Augusto Lima (Seu Neno).

Aqui não!

O nome Brasília Teimosa surgiu nos anos 1950, quando os moradores, mesmo sob ameaças e ordens de remoção, teimaram em permanecer no território.

Desde então, assiste-se ao combate Pesca Artesanal vs Avanço da Especulação Imobiliária.

Não esqueça que a Brasília Teimosa é um enclave no Filé Mignon do Porcelato: colada no Pina, juntinho de Boa Viagem, do Novo Cais do Recife (mais essa agora) e, não bastasse, a magros minutos do Bairro do Recife.

Frutos do Mar também é sobre os educadores sociais, gente que faz da cultura uma ferramenta de resistência:

Taciana Melo, da Escola Mangue, e Dandara Martins, do CEPOMA, conduzem projetos que integram educação ambiental, cultura alimentar e memória popular. Entre eles, o Maracatu Nação Erê, primeiro grupo infantil de baque virado de Pernambuco, criado na Brasília Teimosa e que completa 30 anos em 2025.

‘Construir uma narrativa em que a própria comunidade pudesse dizer ao poder público e à sociedade por que é fundamental valorizar e salvaguardar sua cultura alimentar e suas práticas de vida’, diz Mônica Jácome. Registre o recado.

Andorinha só não faz verão

Realizado pela Gato de Gengibre – Pesquisa e Produção Cultural, com produção associada da Janela – Gestão de Projetos, das produtoras Fernanda Ferrário e Dida Maia, o documentário foi contemplado no edital Ações Criativas para o Audiovisual – Produção, da Lei Paulo Gustavo, executado pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundarpe.

No leme, Mônica Jácome.

Sobre a diretora

Mônica Larangeira Jácome é pesquisadora, roteirista, diretora e produtora cultural. Formada em Psicologia pela UFRJ, integrou a primeira turma de Eco-Gastronomia da Faculdade Arthur de Sá Earp (RJ) e cursa especialização em Gestão Social do Patrimônio Cultural na UFBA.

Fundadora da Gato de Gengibre – Pesquisa e Produção Cultural, acumula quase duas décadas de atuação em ONGs no Nordeste, com projetos voltados a jovens e mulheres em áreas de direitos humanos, educação inclusiva, cultura e economia solidária. Desde 2011 dedica-se a pesquisas sobre cultura alimentar, memória e patrimônio, com trabalhos que unem audiovisual e gastronomia tradicional.

Dirigiu o webdoc Territórios Gastronômicos do Velho Chico (2021), premiado pela Lei Aldir Blanc, além de projetos como Histórias Bem Temperadas e Cardápio de Histórias. Também realizou a mostra Xepacult e o I Encontro de Mestras Cozinheiras Indígenas e Quilombolas.

Ficha técnica:

Direção, Pesquisa e Roteiro: Mônica Jácome

Assistência de Direção: Sâmia Emerenciano

Produção Executiva: Fernanda Ferrário

Produção: Dida Maia

Produtora Associada: Janela – Gestão de Projetos (Fernanda Ferrário e Dida Maia)

Direção de Fotografia: Clara Gouvêa

Montagem: João Lucas Melo

Som Direto, Edição e Mixagem: Hugo Coutinho

Trilha Original: Homero Basílio e Leonardo Guedes (violoncelo)

Imagens de Drone: Marcelo Lacerda

Finalização de Cor: Rafael Amorim

Design Gráfico: Isabela Faria

Mídias Sociais: Babi Jácome

Assessoria de Imprensa: Lula Portela

Acessibilidade Comunicacional: Jaks Interpretações

Todas as imagens: divulgação.

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Edgard Homem

Por aqui transitam a arte e a cultura, o social – porque é imprescindível dar uma pinta de vez em quando, as viagens, a gastronomia e etc. e tal.

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