Sertanejo universal. Vavá Schön-Paulino, nosso querido Vavá.
Mestre, ator, diretor, 65 anos de dedicação às artes – em especial, ao Teatro – numa filosofia de provocações e experimentos, amor, compromisso e conceituações.
Performer, poeta, pedagogo, Vavá foi vice-presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de Pernambuco, diretor do Teatro de Santa Isabel, diretor do Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas Apolo-Hermilo, diretor da Secretaria de Cultura e Turismo do Município de Floresta e Mestre, professor e amigo de inúmeros atores, atrizes, produtores e artistas mundo afora.
Heliogábalo e Eu, direção de George Moura, e Fim de Jogo, direção de João Denys, foram as minhas primeiras experiências com Vavá.
Depois, tive a grata surpresa de tê-lo como meu professor no Curso Básico de Formação do Ator, na Fundaj e, posteriormente, dividimos as coxias em inúmeros espetáculos no Recife, num tempo mais contínuo, no Coletivo Angu de Teatro, sob a direção de Marcondes Lima.
Em especial, Vavá me guiou no mundo underground do Recife. A boate Araras Dance Bar foi um desses lugares que descobri através dele.
Quem o conheceu sabe da inteligência ímpar, do sofisticado domínio sobre essa unidade corpo, gesto, palavra. A genialidade extemporânea de sua performance, ainda hoje, me atravessa e acredito que eu não esteja sozinha nesses afetamentos vavísticos.
Em dezembro 2024, Vavá deixou no Blog Edgard Homem os seus votos para o ano de 2025. Disse ele: “Espero que para muito além das Leis de Incentivo, encontremos o equilíbrio possível entre Mercado de Consumo e Práxis Criadora. Estarei esperando Godot?
Que o beato Carlo Acutis interceda por nós! Vamos insistir na Internet das Coisas a partir do nosso Quintal de Subjetividades.”
Nove é o somatório dos números do ano 2025. Nove é o tempo de uma gestação humana. Nove anos foi o tempo de retorno de Vavá à sua terra Floresta, quando se deu a sua passagem de volta à Casa.
O rio sempre corre para o mar. Pausa. Suspensão. O tempo ajuda a digerir a ausência. A presença permanece impregnada nos poros. Sim Vavá, vamos prosseguir, agora imbuídos do seu extemporâneo Teatro.
Gratidão por tudo! Na próxima segunda-feira, 22 de setembro, Vavá será homenageado na abertura do Festival de Cinema Recifest, vale à pena conferir.
Viva VivaS Vavá Schön-Paulino, um saltimbanco Pipipã entre nós, hoje e sempre! Evoé.
Márcia Luz, 18 de setembro* de 2025.
*Texto livro durante a celebração da Missa de 7º dia do nosso amado, na Igreja da Nossa da Soledade, Soledade, Recife.

PS: a pernambucana Márcia Luz é mulher negra e feminista, atriz, palhaça e produtora cultural – entre outras expertises, com mais de 30 anos de estrada.
Foto em destaque: Vavá Schön-Paulino por ele mesmo.


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