Será neste sábado, 18 de outubro de 2025, das 15h às 19h, na Casa Astral.

Em Um solo para violoncelo, Renata Pimentel (escritora, pesquisadora e professora) investiga suas memórias para construir um mosaico que, a partir do pessoal, aborda também temas universais: os afetos e desejos de mulheres que amam mulheres, etarismo, relações familiares e a efervescência cultural do Brasil dos anos 1980 e 1990.

Além do encontro com a autora para autógrafos, o evento contará com leitura dramática de cena com Hermínia e Nathália Queiroz (às 16h30).

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O texto foi escrito na década de 1990, durante um curso de formação em atuação da UFPE, e nasceu da percepção, junto a várias amigas, de que havia uma escassez de histórias sobre mulheres que amam mulheres, escritas pela perspectiva das próprias. É, como aponta a autora, orgulhosamente uma ‘dramaturgia sapatão’.

‘A literatura queer, dissidente, que fala das questões homoafetivas masculinas é recorrente, aparece, é muito comum. Entre as mulheres, não. E quando aparece, é sempre escrita por um homem numa coisa mais isolada, fetichizada, e não com um aspecto que junte a ideia da investigação, da representação, com a representatividade, que é algo que me parece muito importante para a gente desmontar essa ilusão do paradigma de universalidade da arte. Então, esse trabalho nasce desse desejo, desse monólogo, que era um exercício meu para o curso de teatro, que retrabalhei e transformei numa peça com duas personagens e uma voz da consciência, vamos assim dizer. Então, são três falas, três vozes, mas basicamente duas personagens que evocam um universo de experiência, de relação existencial também’, diz.

Renata acredita que, além da representação dos afetos entre mulheres, o trabalho também fala com quaisquer pessoas que leiam ou assistam as montagens decorrentes do texto, pois é uma escrita atravessada por várias questões: relações familiares, referências sociais, políticas e culturais dos anos 1980 e 1990; a cidade do Recife, e a experiência de envelhecimento.

‘São duas personagens que se investigam. Uma delas se investiga muito profundamente, carrega mais o texto, investigando essa relação dela com ela mesma, com a trajetória de vida, com o pai, a relação com outra mulher, amiga de adolescência, depois amante. E as relações também dessa amiga, ex-amante, ex-namorada, ex-esposa, com a mãe e a doença, a velhice, enfim. É um texto em um único ato e que tem essa reivindicação mesmo política de mostrar um panorama cultural. Então, tem muitos lugares do Recife que já não existem, tem muita referência à música também’, reforça.

Apesar desta ser a sua primeira dramaturgia publicada, a pernambucana, que também é professora de Literatura na UFRPE, tem uma vasta produção em livros nos campos da poesia, estudos e ensaios: Uma lavoura de insuspeitos frutos (Annablume, 2002), Copi: transgressão e escrita transformista (2011), Da arte de juntar besouros (2012) e Denso e leve como o voo das árvores (2015) e A harmonia secreta do caos (2023), estes últimos pela editora Confraria do Vento.

PS: entrada franca / preço do livro: R$45,00.

A Casa Astral fica na Rua Joaquim Xavier de Andrade, 104, Poço da Panela, Recife.

Mais informações: www.osexodapalavra.com @osxodapalavra

Foto em destaque de Renata Pimentel: João Rafael.

Imagem da capa de Um solo para violoncelo: divulgação.

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Edgard Homem

Por aqui transitam a arte e a cultura, o social – porque é imprescindível dar uma pinta de vez em quando, as viagens, a gastronomia e etc. e tal.

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