Você já se encontrou numa discussão em que, mesmo tentando se explicar, a situação só piorou? Ou já disse algo no calor da emoção e se arrependeu depois? Quem nunca, né?

Comunicação Não Violenta (CNV), filosofia desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg, oferece um caminho para transformar esses impasses em oportunidades genuínas de conexão.

Vivemos a cultura que prega, muitas vezes, que “não podemos levar desaforo para casa”, que precisamos “dar o troco”. Diante disso, o convite da CNV é, de fato, desafiador. Ele nos propõe uma mudança de perspectiva: ao invés de alimentar discussões que aprofundam polaridades, buscar a comunicação que prioriza a redução de danos e a construção de entendimento.

A CNV não é sobre “ser bonzinho” ou “engolir sapos”. É uma abordagem prática e uma forma de estar no mundo que fortalece nossa capacidade de nos mantermos humanos e compassivos, mesmo em situações de tensão. Trata-se de autenticidade combinada com empatia.

Marshall Rosenberg desenvolveu o método a partir de estudos sobre resolução de conflitos, com influências de figuras como Gandhi. A CNV foi aplicada com sucesso desde zonas de guerra a conflitos corporativos, demonstrando seu poder universal.

Em seu livro “Comunicação Não Violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”, Rosenberg estrutura a prática em quatro componentes:

Observação: Separar os fatos puros de nossos julgamentos. Em vez de “Você é irresponsável” (julgamento), tente: “Você se atrasou três vezes esta semana” (observação).

Sentimento: Identificar e expressar o que sentimos em relação ao que observamos. Exemplo: “Eu me sinto frustrado e preocupado…”

Necessidades: Reconhecer qual necessidade (valores ou desejos universais) está por trás do nosso sentimento. “…porque eu valorizo a confiança e a confiabilidade na nossa equipe.”

Pedido: Fazer uma solicitação clara, específica e viável, em linguagem positiva. “Você poderia, por favor, me avisar com antecedência se houver um imprevisto que o atrase?

Mas, em uma sociedade que parece valorizar a agressividade, qual a vantagem?

Dentre os benefícios de praticar a CNV no dia a dia, Rosenberg destaca a redução significativa de conflitos, a melhora na qualidade dos relacionamentos (pessoais e profissionais), o aumento da produtividade e a promoção da saúde mental.

Mais que uma técnica de comunicação, a CNV se revela caminho para uma escuta aprofundada – tanto do outro, quanto de nós mesmos. Num mundo de tantos estímulos e opiniões, praticá-la pode ser ato revolucionário: um resgate da nossa humanidade compartilhada.

Para se aprofundar na CNV, acesse: www.institutocnv.com.br

O autor é psicanalista, terapeuta, tarólogo e mestrando em psicanálise.

Imagens ilustrativas: produzida por IA.

Foto de Ronaldo Patrício: divulgação.

Ronaldo SilvaAuthor posts

Ronaldo Silva

Psicanalista, tarólogo e terapeuta energético. É graduado em Jornalismo e Relações Públicas pela UNICAP.

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