Sexta-feira, 14 de novembro de 2025, às 14h, ele abrirá Recife: a Cidade Vermelha, no Centro de Design do Recife.
O cara é instigado:
também intitula-se Artista Coletor, porque cria as suas obras a partir de materiais descartados recolhidos nas ruas.
‘Não é reciclável, meu foco é o Resto mesmo. É aquilo que a sociedade enxerga como inútil. O quê e quem são os Restos nesta sociedade?’, pergunta-se.
Quando falo de instigação, é sobre isso: Persio é um Artista que se obriga a ir além do domínio das técnicas.

Recife: a Cidade Vermelha reúne 26 obras: esculturas (em pedra, madeira, ferro) e quadros (óleo sobre tela, óleo sobre madeira, etc.). Os suportes, obviamente, variam muitíssimo, pois são determinados pela disponibilidade: qual é o Resto do momento?

Sobre a temática
Sabido que Resto é a coluna vertebral, o vermelho expressa a erupção contínua em que se vive na metrópole de *excessos de afetos, dinamismo, força e poder, mas também perigo, sangue e violência – a sensação de um transbordamento contínuo, como se estivesse sempre próxima à gota d’água, ao limite do que sucumbe.
Mais sobre
Biologicamente (os anarquistas são do mundo) é de Araucária, Paraná, e lá viveu até os 8 anos, quando é mudado para Valinhos, São Paulo, com Maria Augusta e Marcílio Persio, seus pais.
O senhor Marcílio trabalhou nos campos de café, em ferrovia e, de olho nas melhoras, decidiu ser Pedreiro – ciência que repassou para o filho que hoje é Artista Visual e Pedreiro (tudo ao mesmo tempo agora e em plena atividade, segundo a demanda). ‘Ser Pedreiro é transitar do imaginário à concretude, construindo sentidos para a vida’, diz.

Há 5 anos em Pernambuco, há 5 anos montou o seu primeiro atelier, ou seja: foi aqui que decidiu investir, definitivamente, no imponderável.
Como tem sido? ‘A coisa mais difícil’.
‘Pois é colega, mas você tem duas asas, cada uma feita de uma coisa. O que garante o voo’, replico.
Politicamente engajado, o lado você deduzirá facilmente, esse galego do olho verde é adepto de religião de matriz africana, ou seja, o é cara original.
‘Depois da física quântica é preciso analisar o mundo a partir de perspectivas mais amplas’, falou-me.
Estou assimilando.
PS: Recife: a Cidade Vermelha, é sua 5ª individual (a 3ª em PE) e exibe o acúmulo do trabalho por cá feito.
Considerações finais
Curadoria: Samuel Persio
Expografia: Samuel Persio
Textos: Verônica Maria Pereira Costa e Samuel Persio
Visitação: de 14 de novembro até 25 de janeiro, de quarta a domingo, das 10h às 16h. A entrada é gratuita.
Escolas, universidades, agências de turismo e entidades artísticas-culturais podem solicitar uma visitação guiada (@centrodesigndorecife).
O Centro de Design do Recife fica no Pátio de São Pedro, casa 10, Recife.
*Em itálico, trecho do texto curatorial.

Foto em destaque da obra Martírio: Samuel Persio.
Demais imagens, também, de Samuel Persio.


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