9 horas. Toca o sino da igreja.
‘É domingo outra vez’, pensa acuado pelo ócio.
O que ontem gemia sob a pele, hoje transpira, arde e grita.
‘Os domingos são para isso: para não esquecer de si’.
Cansado de ser, levanta-se da cama e no banho morno, deseja que as águas curem todo e qualquer medo.
‘Nunca houve garantias, por que haveria agora?’
Assim é.
Lá fora, o céu azul clama por entendimento entre as partes, toda e qualquer parte.
‘Domingo é não saber. Se soubesse, amanhã seria de revolução’, resiste.
‘Mas o contrário também vale’, cede.
Feito na música, ‘Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí…’.
Mas desta vez, perfumado com alfazema e intenção.
Borrifa, em especial, entre as omoplatas, a nuca, alto da cabeça, coração e umbigo.
Ele é um homem de fé.

Foto da torre da Igreja de Santa Cruz, na Rua de Santa Cruz, Boa Vista, Recife: Edgard Homem.


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