Sentei-me, finalmente, e senti a brisa do terraço secar o suor que aquela cozinha me trazia.
Do interior da casa ouvia-se o chiado do feijão na pressão, a máquina chacoalhando as roupas e o furor da torneira aberta a encher mais um balde na área de serviço.
Balançava as pernas enquanto estourava um pedaço de plástico-bolha com as mãos cheirando a cebola. Dedos e ouvidos entregues ao frenesi daquele prazer quase infantil.
A água do balde alcançou meus pés, e corri à torneira observando, contrariado, que ainda havia bolhas a estourar, inclusive a maior de todas: a minha.

Foto: Diego Cruz Cavalcanti.
Imagem da bolhas: Eskymaks / Dreamsteam.com


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