No Brasil, muita gente admira as obras de Dostoiévski – e não só aqui, os seus romances profundos e sombrios conquistaram leitores por todo o mundo.

Mas na Rússia, há um nome que é falado por todos: Aleksandr Pushkin.

Não é exagero dizer que Pushkin é tudo para nós. Ele não é apenas o pai da literatura russa – ele é a própria alma da nossa língua. É aquele que deu voz aos sentimentos do povo, moldou o modo como falamos, escrevemos e pensamos até hoje.

Aleksandr Sergueievitch (patronimo do nome Sergei) Pushkin nasceu em 1799, em Moscou, numa família nobre com raízes africanas.

Seu bisavô, Abram Hannibal, foi um príncipe etíope que se tornou engenheiro, general e afilhado de Pedro I. Um detalhe extraordinário que inspirou estudiosos e artistas por séculos, um poeta russo com sangue africano e alma universal.

Desde jovem, Pushkin revelou-se um verdadeiro gênio. Aos 15 anos já escrevia com uma maturidade impressionante; aos 20, conquistava os famosos salões literários de São Petersburgo. Contudo, nunca foi só um poeta da elite. Pushkin falava com todos – com o povo simples, com os sonhadores, os rebeldes, os céticos e até com as crianças.

Sua linguagem era elegante e simples. Musical, mas direta e viva!

“Я вас любил: любовь ещё, быть может, В душе моей угасла не совсем…”

(“Eu vos amei: talvez ainda reste no coração um pouco desse amor…”)

Quantas vezes esses versos foram sussurrados em estações de trem e secretas cartas amorosas?

Pushkin escreveu poesia lírica, épica, romances em versos, contos, peças, ensaios e até contos de fadas.

Criou personagens incríveis como o cético Evguêni Oniéguin, a sonhadora Tatiana, o rebelde Borís Godunov, o astuto Dubrovsky…

Entre as suas obras mais célebres estão O Prisioneiro do Cáucaso, Eugene Onegin, A Filha do Capitão, O Cavaleiro de Bronze, O Conto do Tsar Saltan e O Galo Dourado.

Era tão admirado que autores como Dostoiévski, Lermontov e Turguêniev o chamavam de mestre e se inspiravam muito em seus escritos.

O mestre, no entanto, era demasiadamente humano: adorava jogar cartas e fazia dívidas com frequência – o que o obrigava a trabalhar mais e mais.

Era péssimo em ciências exatas e, no liceu, ficou em 26º lugar dentre os demais 29 alunos.

Pushkin amava sua babá, Arina Rodionovna, a quem dedicou um dos seus poemas mais emocionantes e tocantes.

Era completamente apaixonado por sua bela esposa, Natasha Goncharova – 10cm mais alta que ele, o que o deixava envergonhado de dançar valsa com ela.

De temperamento impulsivo, Pushkin envolveu-se em vários duelos. O último, em 1837, em defesa da honra de sua mulher, foi fatal. Ferido por Dantès, morreu aos 37 anos – e toda a Rússia chorou.

“И долго буду тем любезен я народу,

Что чувства добрые я лирой пробуждал…”

(“E serei querido pelo povo por muito tempo, pois minha lira despertava sentimentos nobres…”)

Pushkin sabia que sua voz não seria esquecida.

“Я памятник себе воздвиг нерукотворный…”

(“Ergui um monumento para mim, que não foi feito por mãos humanas…”)

Uma declaração serena e poderosa de eternidade. E ele estava certo.

Hoje, Pushkin está por toda parte: nas escolas, nos parques, nos teatros, nos livros e nas memórias.

Não há uma criança russa que não conheça os seus contos rimados, nem um adulto que não tenha se emocionado com seus versos.

Pushkin continua vivo.

Porque todo mundo precisa de poesia e a língua tocada por um gênio se torna eterna de verdade.

Justamente por isso, graças à influência desse grande poeta russo, surge o Espaço Cultural Lukomorye – mais que uma loja, um cantinho de cultura inspirado no mundo mágico de Pushkin.

Lukomorye é o nome da floresta encantada que abre o famoso poema de Pushkin – onde há um carvalho dourado à beira do mar, um gato sábio que caminha em círculos e onde tudo é possível.

E esse é o mundo incrível que inspira a todos e sempre!

Maria Alexahina ou Uma russinha no Carnaval das Olindas.

Maria Alexahina, nossa nova colaboradora, é filha de Moscou e há mais de 10 anos vive no Brasil – é escritora, ilustradora e professora de russo.

Inspirada pela energia do Recife, escreveu o livro Era uma vez no Brasil e fundou a Lukomorye (@lukomore) no coração da cidade, a Boa Vista.

Em suas crônicas e projetos, Maria constrói pontes entre cá e a Rússia, sempre com humor, afeto e uma xícara de chá gostoso.

Imagem de Pushkin em destaque: site culture.ru

Foto dela: divulgação.

Edgard HomemAuthor posts

Edgard Homem

Por aqui transitam a arte e a cultura, o social – porque é imprescindível dar uma pinta de vez em quando, as viagens, a gastronomia e etc. e tal.

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