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O jornalista e escritor Maurício Melo Júnior lançou em junho último, na Feira do Livro de São Paulo, o romance O Tardio, ambientado entre o Brasil da ditadura militar dos anos 1970 e o início dos anos 2000. A obra, um lançamento da Editora Rua do Sabão, narra a saga de dois irmãos que não se conheceram: Sérgio nasceu no dia da morte de Roberto e constrói sua vida completamente em oposição ao irmão. Forma-se em direito, casa e tem duas filhas. No entanto, fascinado pela história de Roberto — que nos anos 1970 deixou tudo de lado e partiu com a amada Caliandra, como hippies, percorrendo comunidades alternativas, feiras de artesanato e vilas espalhadas pelo país em busca da liberdade pregada pela contracultura —, Sérgio abandona sua rotina convencional e parte pelo país com o objetivo de reconstituir a história do irmão.

Apresentador do programa Leituras, da TV Senado, dedicado à literatura brasileira, o escritor, jornalista, crítico literário e documentarista Maurício Melo Júnior é autor de mais de 20 livros, além de participações em antologias de contos e de ter escrito duas peças teatrais. Como jornalista, colabora para o jornal Rascunho, de Curitiba/PR e para a revista Pernambuco, do Recife/PE. Foi curador de feiras de livros (Brasília/DF, Pirenópolis/GO e Penedo/AL) e presidiu o Instituto Cultural Casa de Autores. Publicou crônicas, contos, novelas, ensaios, livros infanto-juvenis e os romances Noites simultâneas/2017, Não me empurre para os perdidos/2020 e Sujo oculto/2023, dentre outros.

Em 160 páginas, o autor estrutura O Tardio em 10 capítulos com os nomes das cidades por onde Roberto passou, todas localidades cultuadas pelos hippies e pela contracultura da década de 1970: Palmares, em Pernambuco, Arembepe e Trancoso, municípios baianos, Armação de BúziosTeresópolis e Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro, São Tomé das Letras, em Minas Gerais, Lençóis, na Bahia e fechando a obra com Alto Paraíso e Pirenópolis, ambas em Goiás.

Movido pela curiosidade e pela necessidade que sentia de compreender quem foi seu irmão morto por policiais durante a repressão da ditadura, Sérgio abandona a rotina e inicia uma viagem pelo Brasil, tentando descobrir pistas de Roberto. Guiado por cartas, lembranças e relatos de pessoas que conheceram o irmão, Sérgio reconstrói a trajetória de um jovem hippie, tornando-se ele mesmo um deles. Em sua trajetória, Sérgio revisita a história recente do Brasil, remontando os conflitos entre conformismo e liberdade. A viagem transforma-se numa jornada interior e Sérgio passa a questionar as próprias escolhas, o silêncio da família sobre Roberto e o significado da liberdade em diferentes épocas. Em entrevistas para o lançamento do livro, Maurício Melo Júnior diz que nos três anos de busca de Sérgio, o personagem percorre um país que não tem mais os sonhos e as esperanças propagadas pela contracultura.

Além de relatar o caminho de Sérgio pelo país (os mesmos locais visitados por Beto e Caliandra), a narrativa é toda construída por recortes no tempo e no espaço e o leitor precisa ficar atento para descobrir a quem o autor está se referindo, se a Roberto/Beto, se a Sérgio ou se aos demais personagens da trama (os pais dos rapazes, as suas esposas e até personagens históricos do Brasil, como a citação à estilista Zuzu Angel, que lutou para descobrir o paradeiro de seu filho, morto pela ditadura). O desfecho traz surpresas e novamente é preciso muita atenção para a reconstrução da saga daquela família.

Ficha técnica:

Título: O Tardio

Autor: Maurício Melo Júnior

Editora: Rua do Sabão, 160 págs

Preço: R$68,90

O autor da resenha.

Maurício Mellone é jornalista com mais de 40 anos de estrada; fez e faz a carreira, majoritariamente, a partir da imprensa de São Paulo – rádio, TV, impresso e assessoria de comunicação.

Foto em destaque de Maurício Melo Júnior: divulgação.

Imagem da capa: divulgação.

Foto de Maurício Mellone: divulgação.

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Maurício Mellone

Jornalista com mais de 40 anos de estrada, fez carreira na imprensa de São Paulo – rádio, TV, impresso e assessoria de imprensa.

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