Sentei-me, finalmente, e senti a brisa do terraço secar o suor que aquela cozinha me trazia.

Do interior da casa ouvia-se o chiado do feijão na pressão, a máquina chacoalhando as roupas e o furor da torneira aberta a encher mais um balde na área de serviço.

Balançava as pernas enquanto estourava um pedaço de plástico-bolha com as mãos cheirando a cebola. Dedos e ouvidos entregues ao frenesi daquele prazer quase infantil.

A água do balde alcançou meus pés, e corri à torneira observando, contrariado, que ainda havia bolhas a estourar, inclusive a maior de todas: a minha.

Alex Sobreira é músico, compositor e cronista.
Foto: Diego Cruz Cavalcanti.

Imagem da bolhas: Eskymaks / Dreamsteam.com

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Edgard Homem

Por aqui transitam a arte e a cultura, o social – porque é imprescindível dar uma pinta de vez em quando, as viagens, a gastronomia e etc. e tal.

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